Energia limpa que vem do lixo

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Europa adota novos incineradores que convertem resíduos em calor e eletricidade. Processo reduz o custo energético e beneficia o meio ambiente

ELISABETH ROSENTHAL
THE NEW YORK TIMES

HORSHOLM, Dinamarca. Os advogados e engenheiros que moram em uma área elegante em Horsholm convivem em paz com o vizinho do outro lado da cerca: uma enorme usina de energia que queima milhares de toneladas de lixo doméstico e industrial ininterruptamente.

Muito mais limpo do que os incineradores convencionais, esse novo tipo de usina converte o lixo local em calor e eletricidade. Dezenas de filtros apanham os poluentes, desde mercúrio até dioxina, que saíam das chaminés uma década atrás.

Foi justamente na última década que esse tipo de usina virou o destino principal do descarte de lixo e uma fonte crucial de energia em toda a Dinamarca, desde áreas ricas como Horsholm até o centro de Copenhague. Essas usinas reduziram os custos energéticos do país e sua dependência de petróleo e gás para aquecimento.

Elas também beneficiaram o meio ambiente, diminuindo o uso de aterros e cortando as emissões de dióxido de carbono. As usinas são tão ambientalmente limpas que, muitas vezes, sai menos dioxina das suas chaminés do que das lareiras domésticas e das churrasqueiras de fundo de quintal.

Com todas essas inovações, a Dinamarca agora considera o lixo uma alternativa de energia limpa, em vez de vê-lo como um problema fedorento e desagradável. E os incineradores, conhecidos como usinas de “lixo para energia”, tornaram-se uma marca das cidades, enquanto comunidades como Horsholm disputam para que eles sejam construídos em seus territórios.

Expansão. A Dinamarca agora tem 29 usinas de incineração, que servem a 98 municípios em um país de 5,5 milhões de habitantes. Outras dez usinas estão sendo planejadas e em fase de construção. Em toda a Europa, existem cerca de 400 usinas, sendo Dinamarca, Alemanha e Holanda os países líderes em expansão e construção nesse segmento.

Em contraste, nenhuma usina de lixo para energia está sendo construída ou planejada nos Estados Unidos, segundo a Agência de Proteção Ambiental, embora o governo federal e 24 Estados classifiquem o lixo que é queimado para se obter energia como um combustível renovável e, em muitos casos, passível de subsídios. Existem apenas 87 usinas incineradoras de lixo nos EUA, país com mais de 300 milhões de habitantes, e quase todas elas foram construídas há pelo menos 15 anos.

Em vez de incineradores, aterros sanitários distantes continuam como o destino principal do lixo norte-americano. “A Europa nos deixou para trás com essa tecnologia”, disse Ian Bowles, ex-oficial do governo Clinton e atual secretário de Energia de Massachusetts.

“Os atuais aterros norte-americanos estão transbordados e a pressão para se reduzir a emissão de gases do efeito estufa está aumentando. Com isso, muitos Estados estão considerando propostas de reutilização do lixo para a produção de energia. Mas deve haver resistência, da mesma forma que as turbinas de vento para se obter energia eólica causam protestos”.

Leis incentivam a adoção de novas tecnologias
HORSHOLM. Na Europa, as leis ambientais aceleraram o desenvolvimento de programas de lixo para energia. A União Europeia restringe a criação de novos aterros sanitários e, além disso, os países membros já começaram a cumprir os compromissos de redução das suas emissões de dióxido de carbono até 2012.

Por outro lado, o lixo não pode ser descartado facilmente longe das vistas da população em países pequenos e densamente habitados. Em Horshholm, atualmente, apenas 4% do lixo vai para aterros. O outro 1% – químicos, tintas e equipamentos eletrônicos – é despachado para “descartes especiais” em lugares distantes, como uma mina de sal abandonada na Alemanha. Do lixo da cidade, 61% é reciclado e 34%, incinerado em usinas de energia.

Como funciona.
Os atuais incineradores geradores de energia têm pouco em comum com os modelos sopradores de fumaça de antigamente. Eles têm vários filtros e depuradores de ar recém-desenvolvidos para capturar vários químicos prejudiciais à saúde – ácido hidroclórico, dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio, dioxinas, furano e metais pesados –, além de partículas pequenas. As emissões das usinas em todas as categorias foram reduzidas para um percentual de 10% a 20% dos níveis permitidos pelos rígidos padrões ambientais europeus.

No final do processo de incineração, os ácidos, metais pesados e a gipsita extraídos são vendidos para uso em indústrias e construção. Pequenas quantidades de substâncias tóxicas altamente concentradas formam uma pasta e são enviadas para um ou dois depósitos de materiais altamente perigosos. “Os elementos perigosos são manuseados com cuidado, em vez de serem dispersos em um aterro”, disse Ivar Green-Paulsen, gerente geral da maior usina de incineração da Dinamarca. (ER/NYT)

Publicado em: 15/04/2010
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Inovação é a alma do negócio, não é?
Continuem acessando, divulgando e comentando.
Até a próxima!

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1 comentário

Arquivado em notícia

Uma resposta para “Energia limpa que vem do lixo

  1. Roberta

    Olá boa tarde,
    gostaria de saber sobre alguma usina ou hidrovia que esteja sendo planejada no Brasil em 2010,e quais as alteraçoes q essa construçao vai trazer ao meio ambiente.

    Atenciosamente:Roberta

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