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Incêndio em área protegida sobe 124%

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100718/not_imp582779,0.php

De janeiro até julho foram registrados 4.045 focos de queimadas em locais como parques e reservas contra 1.803 no ano passado; Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins perdeu extensão equivalente a São Bernardo do Campo

18 de julho de 2010 | 0h 00
Afra Balazina – O Estado de S.Paulo

A Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins perdeu cerca de 400 quilômetros quadrados em queimadas neste ano – área equivalente à cidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo. É a região que mais sofreu com o fogo entre todas as Unidades de Conservação (UCs) do País, contando as federais e estaduais.

Os incêndios em áreas ambientalmente protegidas, como parques e reservas, têm preocupado autoridades, cientistas e ONGs. Foram 4.045 focos desde janeiro – um aumento de 124,3% em relação ao mesmo período de 2009. Os terrenos próximos dos limites das unidades, chamados de áreas de amortecimento, também são monitorados, pois o fogo pode começar fora do parque e se alastrar dentro dele.

No quadro geral do Brasil, o aumento de focos foi de 28% (de 9.279 em 2009 para 11.918 em 2010). Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A queima quase sempre é provocada pelo homem – principalmente em razão de atividades agropecuárias.

No caso das UCs, a situação em Tocantins é a que mais preocupa, segundo Paulo Carneiro, coordenador-geral de Proteção Ambiental do Instituto Chico Mendes (ICMBio, órgão do Ministério do Meio Ambiente).

Entre as cinco áreas protegidas que mais tiveram focos de queimadas em 2010, quatro estão no Estado – além de Serra Geral, com 429 focos, aparecem o Parque Nacional do Araguaia (361), a Área de Proteção Ambiental do Jalapão (205) e a Área de Proteção Ambiental Ilha do Bananal/Cantão (185). O coordenador diz que o Araguaia, por exemplo, teve queimados cerca de 150 quilômetros quadrados – área semelhante à de Cubatão.

“Já imaginávamos que as queimadas aumentariam porque o ano passado foi atípico, teve mais umidade. Mas estamos receosos com a situação atual”, diz Carneiro. Por isso foi criada pela primeira vez uma base aérea em Mateiros (TO) para atender as unidades da região. Um avião faz o monitoramento e outro, apelidado de pipa, joga água para apagar os incêndios.

Segundo ele, das 310 UCs federais, 96 possuem equipes de brigadistas contratadas temporariamente para o período da seca. “Cada uma delas recebe no mínimo 7 e no máximo 42 brigadistas. Serra Geral, por exemplo, tem 35”, explica.

A analista ambiental Luciana Pacca, que trabalha na Estação Ecológica mais afetada pelas queimadas, conta que na semana passada foi resgatado um gato-mourisco de um incêndio – os irmãos morreram. Na região também é possível ver onças, antas, lobos e patos-mergulhões, entre outras espécies.

Luciana e a colega Lara Côrtes, também analista ambiental, dizem que é comum pessoas que extraem o capim-dourado (usado em artesanato) colocarem fogo na área – elas acreditam que, assim, ele nasce mais forte.

Uma das dificuldades para conter o fogo é a logística. “A estação ecológica é muito grande. Tudo é longe e as estradas são de terra”, diz ela. Há quatro analistas na unidade, mas uma está de férias e outra, de licença. “É pouca gente. Ainda bem que temos tido bastante apoio de Brasília.”

Para Ricardo Abad, coordenador de geotecnologias do Instituto Centro de Vida (ICV), “não há justificativa para haver queimada em Unidade de Conservação. Algo está errado.” O ICV, que atua em Mato Grosso, publicou recentemente um estudo sobre as queimadas no Estado.

Abad diz ainda que a situação em terras indígenas muitas vezes é ainda mais complicada, pois elas não recebem tanta atenção dos órgãos ambientais. Foram 3.563 focos de queimadas neste ano, contra 968 do ano anterior. “Os índios utilizam fogo para caça, para rituais, faz parte da tradição”, diz Abad. Segundo o Ibama, desde março deste ano a Funai realiza o monitoramento de focos de calor em terras indígenas com base nas informações do Inpe.

Total
No quadro geral, que não inclui somente as Unidades de Conservação, o Estado líder é Mato Grosso, com 2.681 focos. Na sequência, aparecem Tocantins (1.418) e Bahia (1.205).

Alberto Setzer, pesquisador do Inpe, ressalta que “ainda estamos no início da temporada de queimadas” – o período crítico é de julho a outubro. Por isso, é difícil fazer uma avaliação. “O que detectamos do início do ano até agora corresponde a algo entre 5% e 10% de tudo que ainda será queimado. De qualquer forma, o início de 2010 está sendo preocupante.”

Para Setzer, “alguns Estados estão particularmente ativos no uso do fogo”, entre eles Tocantins (385% a mais), Distrito Federal (414%) e Piauí (184%).

Glossário

Unidade de Conservação
É um território com proteção garantida por lei. Pode ser de proteção integral (como um parque, que não pode ser habitado) ou de uso sustentável, que admite a presença de moradores, como as reservas extrativistas.

Parque
Tem como objetivo preservar ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza. Permite a realização de pesquisas, atividades de educação e turismo. É de posse e domínio públicos.

Estação Ecológica
Tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas. É proibida a visitação pública, exceto aquela com objetivo educacional. É de posse e domínio públicos.

Área de Proteção Ambiental (APA)
Em geral é uma área extensa, com certo grau de ocupação humana. Tem o objetivo de proteger a biodiversidade, disciplinar a ocupação e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais. É constituída por terras públicas ou privadas.
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Continuem acessando e divulgando esse espaço.
Até breve!

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Documento CQC – Como cuidar da água

Ótima reportagem do programa CQC, da TV Band, sobre como devemos cuidar da nossa água. O humor ácido que escancara a nossa maneira ainda amadora de lidar com o problema.


É isso.
Continuem acessando e divulgando.
Comentem à vontade!
Até breve

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Uma hora volta pra você

Bem divertido esse vídeo do WWF. Diz muito em pouco tempo e nos leva a refletir sobre as nossas atitudes. Momento de reflexão!

É isso.
Até breve!

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Brasil é o país que causa maior impacto ao meio ambiente

http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=205494

Segundo os autores, o objetivo do ranking é identificar as nações mais bem sucedidas na condução de políticas para reduzir a degradação ambiental

20.05.2010 | 19h31
Portal do Consumidor

Um estudo publicado na revista científica PloS One identificou o Brasil como um dos países que mais causam danos ao meio ambiente. A pesquisa, intitulada “Evaluating the Relative Environmental Impact of Countries”, foi produzida por pesquisadores da Universidade de Adelaide, Austrália, e publicada no dia 9 deste mês.

O artigo compara o estado da degradação do meio ambiente em mais de 170 países, utilizando diversos critérios, como crescimento da população de cada país, desmatamento, poluição marinha e perda da biodiversidade. O documento também apresenta dois rankings de países que mais causam impacto à natureza.

Segundo os autores, o objetivo do ranking é identificar as nações mais bem sucedidas na condução de políticas para reduzir a degradação ambiental, e também apontar as políticas que falharam. “Nosso objetivo aqui é apresentar métricas simples para medir os impactos ambientais – absolutos ou proporcionais – dos países”, diz o estudo, em livre tradução do inglês.

Em uma das listas, a que considera o impacto ambiental de maneira absoluta, isto é, sem considerar o tamanho do país ou a quantidade de recursos naturais disponíveis, o Brasil foi classificado como o país que causa mais impacto no meio ambiente.

O principal motivo para que o Brasil tenha sido considerado o pior para o meio ambiente, na lista absoluta, é o desmatamento. O país é o primeiro no critério de perda de floresta natural e o terceiro em conversão do habitat natural. O Brasil também foi classificado como quarto no total de espécies ameaçadas e na quantidade de emissões de CO2.

“De uma perspectiva global, os países mais populosos e economicamente influentes tiveram o maior impacto ambiental absoluto: Brasil, EUA, China, Indonésia, Japão, México, Índia, Rússia, Austrália e Peru foram os 10 países pior classificados”, diz o artigo.

A segunda lista classifica os países levando em conta seu impacto proporcional ao total de recursos naturais presentes em cada país. Nessa classificação, o Brasil não aparece entre os 20 piores. “Este índice classifica os seguintes países como tendo o maior impacto ambiental proporcional: Cingapura, Coréia, Qatar, Kuwait, Japão, Tailândia, Bahrain, Malásia, Filipinas e Holanda”, diz o estudo.

De acordo com a pesquisa, existe uma relação, indicando que os países que mais degradam o meio ambiente são aqueles com maior população e maior riqueza. “Os resultados também mostram que a comunidade mundial deve incentivar os países menos desenvolvidos a um melhor desempenho ambiental, especialmente na Ásia”, diz o artigo. Isso porque seis países asiáticos aparecem no topo, tanto da lista proporcional quanto daquela que avalia o impacto ambiental absoluto: China, Indonésia, Japão, Malásia, Tailândia e Filipinas.
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Por enquanto é só.
Até breve!

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Desmatamento e degradação florestal custam até US$ 4,5 tri ao ano, diz ONU

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100511/not_imp549948,0.php

11 de maio de 2010 | 0h 00

Ambiente. Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente alerta para os impactos econômicos da perda da biodiversidade no mundo. Estudo revela que 42% das espécies de anfíbios e 40% das de aves estão com a população em declínio

Afra Balazina – O Estado de S.Paulo

Um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) alerta para os impactos econômicos da perda da biodiversidade no mundo. Em âmbito global, os desmatamentos e a degradação florestal geram um custo anual entre US$ 2 trilhões e US$ 4,5 trilhões (R$ 3,6 trilhões e R$ 8,2 trilhões) – para se ter uma ideia, o valor é maior do que os prejuízos provocados pela recente crise financeira mundial.

Chamado de Terceiro Panorama Global de Biodiversidade, o estudo do Pnuma demonstra também que espécies invasoras (que podem competir com espécies nativas e danificar plantações) podem custar para a economia global US$ 1,4 trilhão (R$ 2,5 trilhões) ou mais. Somente na África subsaariana, os invasores são responsáveis por perdas anuais que somam US$ 7 bilhões (R$ 12,8 bilhões).

“Muitas economias continuam cegas para o enorme valor e papel da diversidade de animais, plantas e outras formas de vida num ecossistema saudável e funcional de florestas e água para solos, oceanos e a atmosfera”, diz Achim Steiner, diretor executivo do Pnuma.

Alguns países começam devagar a perceber a importância econômica da biodiversidade. Porém, segundo as Nações Unidas, as iniciativas precisam ganhar escala mais rapidamente.

A plantação e proteção de cerca de 12 mil hectares de mangues no Vietnã teve um custo de aproximadamente US$ 1 milhão (R$ 1.8 milhão), mas economiza gastos anuais em manutenção de diques de mais de US$ 7 milhões (R$ 12,8 milhões).

Já a China permitiu por mais de 40 anos a destruição de florestas para obter madeira para construção civil e a fabricação de móveis. Porém, o país começou a enfrentar um grave problema de desertificação, viu o Rio Amarelo praticamente morrer e passou a sofrer com enchentes devastadoras – em 1998, uma delas causou danos de bilhões de dólares.

O país decidiu, então, banir o desmatamento em 17 províncias. “Os chineses perceberam que estavam prejudicando a si mesmos, principalmente porque o produto era, em grande parte, exportado para países como Estados Unidos, Japão e Coreia”, diz Pavan Sukhdev, do Pnuma. Segundo ele, o custo real da madeira seria 129% maior do que o comercializado se os danos ambientais fossem considerados.

Em sua opinião, as empresas têm papel fundamental para evitar a perda da biodiversidade hoje. Segundo Sukhdev, há oportunidades nessa área de negócios sustentáveis: a venda mundial de alimentos orgânicos, por exemplo, teve um aumento de 203% entre 1999 e 2007 e inclui empresas como Carrefour e WalMart. Ele prepara um relatório para apresentar a executivos de médias e grandes empresas.

Extinção. O relatório indica que 42% das espécies de anfíbios e 40% das de aves estão com sua população em declínio. Afirma ainda que a população de espécies de vertebrados caiu, em média, 31% globalmente entre 1970 e 2006.

Uma queda severa ocorreu nos trópicos (59%), enquanto houve um aumento da população das espécies de locais temperados, onde quase não ocorrem mais desmatamentos para fazer pastagens e plantações.

O estudo aponta cinco principais pressões para a biodiversidade atualmente: a perda e a degradação dos hábitats (que são convertidos em plantações e, mais recentemente, para produzir biocombustível), as mudanças climáticas, a poluição, o uso insustentável (superexploração) e, por fim, as espécies invasoras.

Em uma amostra de 57 países foram achadas mais de 542 espécies invasoras com algum impacto para a biodiversidade – média de 50 por país. O número provavelmente está subestimado, já que há muitos impactos que não foram examinados e muitos países têm falta de dados.

Extinção marinha
85% dos recifes de ostras foram extintos no mundo
37% dos estuários não têm mais esse tipo de recife
14% dos estoques de peixes avaliados entraram em colapso em 2007
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Por hoje é só!
Até breve.

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