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Lixo pode virar energia em Cubatão

Indústria – E-1
Sexta-feira, 17 de junho de 2011

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Emae encerra em setembro estudos para instalação de usina de tratamento de detritos para produção de eletricidade em 2013

MARCELO SANTOS
DA REDAÇÃO

A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) pretende instalar em Cubatão, até 2013, uma usina de lixo para produção de energia elétrica. Segundo o diretor-presidente da empresa, Antônio Bolognesi, os estudos de viabilidade econômica para o projeto começaram há um ano e devem ser concluídos em setembro.

Emseguida, a empresa fará o Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima). Aprevisão é investir R$ 480 milhões no projeto para tratamento de 2 mil toneladas de lixo por dia.

Na cidade do Porto, em Portugal, uma usina semelhante consegue fornecer energia para 150 mil habitantes a partir de mil toneladas de detritos/dia. Cubatão tem 118 mil moradores.

O presidente da Emae afirma que o objetivo é atender as nove cidades da Baixada Santista. A usina receberia também o lixo das indústrias de Cubatão (escritórios, refeitórios e industrial). Algumas delas, como a Usiminas, já dão destino aos descartes industriais. A siderúrgica recicla uma parte e o restante é vendido como subproduto do aço.

“Fizemos estudos para estruturação do negócio para tratamento de resíduos sólidos e estamos avaliando os custos e a disponibilidade tecnológica”, afirma ele. A Emae ainda não tem uma área em vista. A empresa é dona em Cubatão da Usina Henry Borden, onde está a Vila Light, mas é uma área preservada.

Após a coleta e transporte do lixo, é feito o tratamento térmico(incineração). Desse processo sai gás, que é tratado para se tornar “limpo”. Depois começa a geração de energia elétrica.

Alguns pesquisadores alegam que há emissão de gases, o que prejudica o meio ambiente (outros alegam que esse impacto é pequeno) e que a queima destrói material reciclado. Porém, entre a coleta na cidade e o transporte até a usina pode ser feita a separação.

Simultaneamente são liberadas cinzas. Esse material segue para cobertura de aterros e produção de escória e de materiais de construção, como tijolos. Outro benefício é que esse tipo de usina reduz as montanhas de lixo nos aterros comuns.

Bolognesi está preocupado com a repercussão da instalação de uma usina de lixo na região. Ele presenciou isso durante o 6º Mega Polo, evento do Sistema A Tribuna de Comunicação, em Cubatão, sexta-feira passada. O executivo falou sobre o projeto e algumas pessoas se manifestaram contra.

O presidente da Emae conta que muitos estudos mostram que uma usina dessas gera 20 vezes menos poluição que um aterro comum. Funcionários da Emae visitaram usinas na Alemanha e, segundo eles, as cinzas da incineração não têm cheiro. Já o transporte do lixo é programado também para não exalar odores ruins.

As usinas europeias não são como os aterros brasileiros, que estão em áreas periféricas, muitas vezes prejudicando o meio ambiente e os moradores vizinhos.

Na Europa, elas ficam em áreas valorizadas e têm projeto arquitetônico arrojado. Por exemplo, há uma próxima à Torre Eiffel, em Paris, e em Mônaco, o metro quadrado mais caro do mundo, com vista para o Mediterrâneo. Em Barcelona, na Espanha, fica de frente para a praia.

Brasil investe muito pouco na tecnologia

Segundo o site Usina Verde, 360 mil toneladas por dia de lixo são tratadas no mundo, em 750 usinas de incineração com recuperação de energia. Desse total 588 estão nos EUA, União Europeia e Japão. O restante fica na Ásia.

No Brasil, essa tecnologia é pouco utilizada. No Rio de Janeiro, uma usina já está em funcionamento em parceria com a UFRJ. Já a canadense Naanovo Clean Energy planeja instalar sua primeira unidade no País. Ela estuda áreas em cinco estados.

A produção de energia a partir do lixo já é feita em Barcelona, na Espanha, e Porto, em Portugal. As duas usinas receberam no mês passado uma comitiva do Fórum da Indústria da Construção de Santos e Região (Ficon), uma iniciativa do Sistema A Tribuna de Comunicação.

Em Portugal, as 22 cidades que formam a Área Metropolitana do Porto criaram há 11 anos o Serviço Intermunicipalizado de Resíduos do Grande Porto(Lipor). O projeto custou R$ 230 milhões. O Lipor tem três usinas, sendo que a maior fica em Maia, produzindo 25 megawatts por hora (MW/h) para150 mil habitantes.

A empresa, que é 100% estatal, vende R$ 3,4 milhões por mês em energia elétrica e sucata. A grande vantagem é que após 11 anos de atividades os 4 milhões de toneladas de resíduos incinerados não foram para os aterros comuns.

Se isso tivesse ocorrido, segundo o Lipor, o lixo ocuparia um estádio de futebol com uma montanha de 300 metros de altura. O tratamento de resíduos custa R$ 108,10 a tonelada, valor alto para as cidades que hoje enfrentam séria crise econômica.

Em Barcelona, a empresa Ros Roca criou o Ecoparc, com três usinas para produção de gás para eletricidade. Foram investidos R$ 64,4 milhões. O transporte do lixo até as usinas é feito por meio de megaventiladores automatizados de tubulações, dispensando caminhões.

Bactérias decompõem a matéria orgânica em 20 dias ou se alimentam das partículas de odor, eliminando o mau cheiro. Durante essa alimentação, ocorre a produção do gás metano que, purificado, é remetido à rede de gás natural. O metano também abastece os veículos da empresa.

A produção garante energia elétrica para 50 mil habitantes e calefação dos imóveis no inverno, há aquecimento e, no verão, esfriamento. Porém, o raio de ação do Ecoparc é pequeno para os 1,6 milhão de habitantes de Barcelona. Só 5% são atendidos. A infraestrutura exigida, que são as tubulações, impede uma maior velocidade na implantação desse sistema. A extensão atual é de apenas dois quilômetros.

O custo também é outro empecilho ­ o dobro do verificado em Porto.O recolhimento de lixo sai de R$184,00 a R$230,00 a tonelada. A reciclagem ajuda a pagar parte da despesa pelo serviço, estimada em R$ 6,7 milhões por ano.

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Brasil retira mais de 100 mil toneladas de embalagens do meio ambiente

http://www.abril.com.br/noticias/brasil/brasil-retira-mais-100-mil-toneladas-embalagens-meio-ambiente-569370.shtml

Essa coleta, de 2002 a 2008, ajudou a reduzir a emissão de mais de 160 mil toneladas de dióxido de carbono; o país é líder no processo de descarte correto de embalagens de agrotóxico no mundo

14/06/2010 – 09:59 (atualizada em 14/06/2010 10:07)
Agência Brasil

No período de 2002 a 2008, a cadeia produtiva agrícola nacional retirou do meio ambiente 108 mil toneladas de embalagens de defensivos agrícolas ou agrotóxicos. “Isso significa que nós ajudamos a reduzir a emissão de mais de 160 mil toneladas de dióxido de carbono. A gente tem um benefício ambiental palpável, como resultado do trabalho e esforço de toda a cadeia [produtiva]”, disse à Agência Brasil o presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InPev), João Cesar Rando.

O Brasil é, atualmente, líder no processo de descarte correto desse tipo de embalagens em todo o mundo. Já é considerado um centro de excelência e está se tornando uma referência no assunto, afirmou Rando.

“O Brasil tem uma lei inteligente que distribui responsabilidades a todos os elos da cadeia produtiva. Acho que a integração de todo o sistema é importante. Todos os atores da cadeia produtiva, sejam agricultores, revendedores, cooperativas, fabricantes, estão comprometidos com o sistema”.

Segundo o presidente do InPev, o elevado investimento realizado no país nessa área permitiu a existência hoje de uma infraestrutura e logística adequadas. Isso envolve desde a coleta das embalagens até a destinação final, por meio da reciclagem ou da incineração, utilizando o processo de transporte reverso, em que os caminhões que entregam os produtos cheios retornam trazendo as embalagens vazias. “São alguns pontos que fizeram com que o Brasil progredisse e avançasse muito na gestão desse sistema”.

De acordo com dados do InPev, até o fim de abril de 2010, foram corretamente destinadas para reciclagem 10 mil toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos. O presidente da entidade estima que até maio, esse número deve ter se elevado em 20%, em comparação com o mesmo período de 2009, atingindo 13,8 mil toneladas retiradas do meio ambiente. A projeção para o ano de 2010 é alcançar 31 mil toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos.

João Cesar Rando analisou que a situação é bastante homogênea entre os estados que dão destinação correta a esse tipo de embalagem. O Paraná, Mato Grosso e a Bahia estão acima da média nacional de 95%. Outros, como o Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e o Maranhão, este em função da nova fronteira agrícola, também mostram bom desempenho. “A situação está harmonizada. Hoje, não tem estados que não estejam fazendo um trabalho bom”.

O InPev participa do 8º Encontro de Fiscalização e Seminário Nacional sobre Agrotóxicos, que ocorre desta segunda-feira (14 ) até o próximo dia 17, em São Luís, no Maranhão.
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Continuem acessando.
Até breve!

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